segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Aqui sente-se

Aqui.
Aqui a janela é indiscreta. Nos reflexos, joga-se à solidão, ou ao doce calor da intimidade. E sente-se. Às vezes, por acaso. Outras, tantas, simplesmente por necessidade. Aqui, a necessidade fala alto. Sem palavras, sem abraços, sem beijos. Aqui, sente-se porque se passa demasiado tempo a sós com o sentimento. Vê-se a luz sozinha na rua. Ouve-se o compasso desconhecido no corredor. Saboreia-se o vento gretado nos lábios. Sente-se. Aqui, sente-se demasiado e demasiado só se sente. Sente-se de longe, sente-se de perto.
Sente-se, sem pressas.
Sente-se próximo.
Sente-se, aqui.