terça-feira, 18 de novembro de 2008

Música que fica no ouvido



sweet =)

sábado, 25 de outubro de 2008

Uma pessimista falando de optimismo. Porque não?


Hoje não

Tantas vezes (hoje não).

Instruções de interpretação:

1. - Tantas vezes!
- Hoje não!

2. São tantas as vezes que dizemos hoje não.

3. Dizemos tantas vezes "hoje não", que hoje: não!

Depois de tanto tempo sem postar nada... isto soa-me a a parvoíce.

O "tantas vezes (hoje não)", surgiu-me do título dum livro de José Luís Peixoto: Hoje não. E digamos que este título me fez pensar e debater-me sobre o seu significado. Porque digo muitas vezes "hoje não", por apatia, poque não me apetece, por comodismo, porque estou bem sentada em casa, no meu mundo e não me apetece enfrentar, espreitar, ralar-me com o que está la fora. Mas há aquelas alturas em que o "hoje não", é um "hoje sim", por estarmos fartos de dizer sempre que não. Porque aquele dia correu melhor, porque nos sentimos melhor, porque precisamos de sair do nosso mundo e ir confraternizar com os mundos lá de fora. Porque é qie naquele dia tivemos esperança? Não faço ideia. Há dias assim. Gosto de falar de esperança, embora se torne tão complicado falar desse sentimento fugaz. Tão fugaz que lhe vemos apenas o dislumbre, mas que mesmo assim, corremos atrás dele, tal como a Alice atrás do coelho branco. Gosto dos dias em que se pode falar de esperança. Mesmo que o hoje, seja um dia "hoje não".

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

"Olá, bem-vindo a esta multidão de centenas de originais"

in Canário

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Pés de Lua à espera duma dança ao luar

"Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você..."



Pra rua me levar
Ana Carolina e Seu jorge




Não digas adeus...Até já (para sempre)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Welcome (reality)

"So little time
Try to understand that I'm
Trying to make a move just to stay in the game
I try to stay awake and remember my name
But everybody's changing and I don't feel the same"

Keane
Everybody´s changing

sábado, 28 de junho de 2008

Máfia Urbana

"O tempo não tem cor, nem nada que se pareça
O tempo que faz promessas
O tempo que foge depressa
E as horas que passam não voltam

E o mundo não tem Deus
E a alma não tem dono
O que tentamos viver
Não passa de um breve sonho


Não é preciso saber, se as estrelas são iguais
Não há verdades concretas, nem mentiras banais
É preciso saber ouvir, o som que a guitarra emana
Não há verdades concretas, são mitos da Máfia Urbana


E o sonho esconde-se nos céus
E fica suspenso no ar
Sobre as lendas perdidas
Já sem tempo para recordar"


Máfia Urbana,
Epifania


O Caminho do Corvo

"Os homens não são diferentes de qualquer outra criatura... - disse o Corvo. - Quando um grupo é mais forte conquista e, quando enfraquece, vem outro e alimenta-se dele por sua vez. O conflito e a competição são necessários. A fúria passa como um grande incêndio, queimando a fraqueza e, à sua luz, é revelada a essência. O sangue e o es espírito fundem-se e o que cresce a partir deles torna-se mais forte. (...)
- É uma lição muito dura - disse então Boudica.
- É a minha verdade... o Caminho do Corvo. De uma maneira ou de outra o ciclo tem de continuar."

in Os Corvos de Avalon,
Diana L. Daxson


Corvo colorido por João Ruas
http://www.estabelecimento.com.br/?cat=7

domingo, 22 de junho de 2008

Um problema só tem uma (possível) solução, se pelo menos duas pessoas acharem que existe um problema para solucionar.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Bola anti-stress

http://aduplapersonalidade.blogspot.com/




(alguém me arranja uma bola anti-stress...? =P)

Piada à biólogo(a)

O que é que um cromossoma fala para o outro?


- Cromossomos bonitos!



=)

terça-feira, 10 de junho de 2008

"Cale-se agora ou fale para sempre..."

in Chez Kantor

segunda-feira, 9 de junho de 2008

I´m wanted dead or alive

Costumo pôr frases neste espaço que têm um significado para mim, que não são apenas palavras. Mas normalmente nunca as comento, talvez por achar que são coisas minhas que devem ser partilhadas sim, mas nem tanto assim. Esta era para ser uma frase em que iria pôr aqui sem comentar, deixando cada um livre para tecer juízos sobre ela, ou relacioná-la com um aspecto ou episódio da sua vida. Mas hoje, quer pela energia que a música me tem dado (e me deu), quer por ter escrito aqui a frase e ter sido assolada por uma enormidade de significados latentes por detrás destas pequenina frase. Parei. Escrevi.


Talvez se começar a pôr aqui pequenos excertos desta música, vocês embalem comigo nesta viagem. Normas para ler o texto seguinte: ouvir a música em simultâneo.

" It's all the same, only the names will change
Everyday it seems we're wasting away
Another place where the faces are so cold
I'd drive all night just to get back home"

Porque vivemos cada vez mais num mundo, onde os olhos e as caras e as pessoas são frias, e por estranho que pareça (ou não...) estão presentes em todo o lado...apenas os nomes mudam. E é o regresso a casa (ou o que tivermos mais aproximado disso...) que mais desejamos, porque é lá que nos sentimos melhor, mais protegidos, mais seguros. Quem diz casa, diz aquele lugarzinho onde esta mistura de sentimentos nos aquece e nos protege do frio de lá de fora.

"Sometimes I sleep, sometimes it's not for days
And the people I meet always go their separate ways
Sometimes you tell the day
By the bottle that you drink
And times when you're alone all you do is think"

E tantas vezes, conhecemos pessoas sim. Pessoas que nos fazem felizes durante pouco, muito tempo... às vezes, o bastante. E conhecemos pessoas que nos pôem tristes... às vezes, demais...

Com quantas pessoas divergimos o caminho? Com quantas pessoas cruzamos caminho? Com quantas mantemos apenas caminhos paralelos que não se cruzam, por falta de jeito, por falta de visão periférica, por falta de tempo? Com quantas mantemos caminhos entrelaçados?
Algumas, muito poucas, às vezes nenhumas...

E mais: quantos dias nos passam pela frente sem darmos por isso? Sem que tenha acontecido alguma coisa com que realmente tenhamos ficados satisfeitos? Satisfeitos. Felizes não. Felizes... Felizes? Nunca! Felizes, apenas com família feliz, namoro/casamento/divórcio feliz, filhos felizes, casa feliz, carro feliz, cão feliz, dinheiro feliz,morte feliz! De resto? Felicidade? NÃO!...
Pois...
Quantas vezes temos a oportunidade de ser felizes durantes os nossos dias, durante os dias que passam...e não o somos? Quantos dias passam sem que façamos nada para ficar felizes? Para ficar, no mínimo, satisfeitos? E quantas vezes pensamos e repensamos na nossa miséria, na nossa falta de felicidade, no nosso mundinho infeliz que de tão infeliz nos torna infelizes?

"I'm a cowboy, on a steel horse I ride
I'm wanted dead or alive
I'm a cowboy
Wanted dead or alive"


Lucky Luke combatia o crime e a injustiça montado no seu Jolly Jumper. Uns queriam-no ver morto, outros queriam-no ver vivo. Cantava a sua cantiga característica, quando se afastava em direcção ao pôr-do-sol: "I'm a poor lonesome cowboy, and a long way from home...".

Cowboys solitários que vagueiam em direcção ao seu pôr-do-sol, inseguros, sem saber o que o amanhã lhes reserva e que companhias terão para vivê-lo (se o tiverem para viver). Cowboys solitários, num mundo cada vez mais universal, onde somos cada vez mais individualistas. Cowboys, às vezes mais rápidos do que a sombra, a dos outros, a do mundo.

Quantos de nós serão mais rápidos do que a própria sombra?


"I'm wanted dead or alive
I'm a cowboy, I got the night on my side
I'm wanted dead or alive
And I ride, dead or alive
I still drive, dead or alive
Dead or alive"



I´m wanted dead or alive... but I still ride and I wanna be alive.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

- Por favor, espera...Ainda não disse tudo.
- É do tempo - diz ele com oníricos reflexos meus nos olhos.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

I guess I need to believe...


domingo, 1 de junho de 2008

BON JOVI no Rock In Rio

13 anos sem virem a Portugal, mas o concerto de regresso foi SIMPLESMENTE FABULOSO!!!

Um dos (se não mesmo O MELHOR!!!) concertos de muitas vidas! Eles são completamente fabulosos! Cada elemento da banda foi simplesmente fabuloso, lamento ter visto apenas (melhor) o Richie Sambora e claro o Jon Bon Jovi (fácil de ver... já que era ENORME em palco!)!

Memorável a bateria de Tico Torres (55 anos!!!), as teclas de David Bryan, as guitarradas (e voz no I´ll be there for you!) do Richie, e a voz fabulosa e poderosíssima do Jon...

Memorável a força que transmitem, a emoção com que entoam cada canção, a paixão, a garra, o carinho com que fazem "A" música!

Memorável o espaço que ocupam no palco, a energia, a cumplicidade e diversão que transmitem ao público!

Memorável a humildade que têm, a proximidade que QUEREM ter com os fãs! Porque apesar de lá estarem 75 mil pessoas, a intimidade gerada com os espectadores, fazia com que cada pessoa estivesse a menos de 1m de distância do palco!

Memorável as 75 mil pessoas que se encontravam até onde a minha vista alcançava e que pulavam, gritavam, batiam palmas, CANTAVAM a plenos pulmões! Porque naquele momento, as palavras de esperança, presentes na maior parte das letras destes grandes Senhores, fizeram (fazem e continuarão a fazer!!!) sentido!


Inesquecível a entrega!!!

Inesquecível concerto!

Inesquecíveis músicas!

Inesquecíveis momentos!

Inesquecível banda!

E à constante pergunta deste GRANDE senhor durante todo o concerto: " Are you still with me?"
ALWAYS












http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/24432



P.S: um GRANDE OBRIGADA a ti Sandra por me teres dado o bilhete (teria sido ainda melhor se tivesses lá comigo!!)
Obrigada a ti Rita por teres partilhado o momento comigo!
Obrigada a ti Alvim que passaste (de certeza...) a adorar Bon Jovi!!! =)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Only youuu...

Evgeni Plushenko

Simplesmente BRUTAL!!!! =)






("Maybe you should ask him what he had for breakfast this morning...")

segunda-feira, 26 de maio de 2008

(En hvar ert þú.... ?)


Where are you?
"Pé firme leve dança
que o saber seja adulto
mas o brincar de criança."


Agostinho da Silva

domingo, 25 de maio de 2008

"- Não vais consolá-lo - disse Lil.
- Um homem consola-se sozinho - disse Wolf voltando para o escritório.
Mentia ao natural e com sinceridade. Consola-se exactamente como uma mulher."

---

"- E nem sequer é de nós (mulheres) que têm medo - disse Lil.
- Isso seria bom de mais - disse Folavril. - Até o medo que sentem, é preciso que venha deles (homens).
(...)
- Porque é que nós resistimos melhor? - perguntou Lil.
- Porque temos um preconceito contra nós próprias - disse Folavril - e isso dá a cada uma de nós a força de um todo. E eles acham que somos complicadas devido a sermos esse todo. (...)
- Então, eles são burros. - disse Lil.
- Não os generalize a eles também - disse Folavril. - Isso torná-los-á igualmente complicados. E nem todos o merecem. Nunca se deve pensar «os homens». Deve pensar-se «Lazuli» ou «Wolf». Eles sim, pensam sempre «as mulheres» e é isso que os perde. "
(...)
Acercaram-se da janela. (...) E havia também Wolf, ajoelhado perto dele, uma mão no seu ombro. Debruçava-se para ele, deveria estar a falar-lhe. "

in A Erva Vermelha,
Boris Vian

During the last week... (4)

Legenda: Células T reg com beads anti-CD16/32

(ou gelado de morango com gelado de pistachio)

=)

During the last week... (3)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

SAMT VANTAR EITTHVAÐ...

(Yet something´s missing...)


"Wolf suspirou.
- Há tanta água por todos os lados - disse ele. - E tão poucas ilhas."

in A Erva Vermelha,
Boris Vian

É urgente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros
e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor,
é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

terça-feira, 20 de maio de 2008

Sigur Ros

Para ouvir de olhos fechados e de alma aberta

Vidrar vel til loftarasa


Hoppipolla

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Porque "É isso aí"...




Os passos vão pelas ruas...ninguém reparou na lua. A vida continua. A vida continua sempre.

Porque preenche...





Vou deixar a rua me levar.

Outro tempo começou (para mim agora).

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Farta de ouvir "amanhã seremos felizes".
O ouvido, cansado da lenga-lenga, já não transmite a informação ao cérebro, apenas acompanha a língua sempre nas mesmas voltas e reviravoltas, numa dança coxa de acústica nula...
Que fique para amanhã, o amanhã-seremos-felizes! Que se mantenha unicamente na mente quando for necessário imaginar um dia melhor, quando for necessário respirar o ar daquela outra realidade, quando esta, se encontrar a implodir pelo vácuo que esmaga o crânio centrifugamente! Que este amanhã-seremos-felizes se mantenha sim, mas apenas num pequeno aparte no plano do que a visão abrange, numa pequena nota, num pequeno letreiro que se torna fluorescente quando tal for necessário! Que este amanhã-seremos-felizes seja um cofrezinho de forças quando estas nos abandonarem, o tal sol depois da tempestade, um lago de águas calmas que nos alberga antes do renascimento da Fénix. Que o amanhã-seremos-felizes esteja lá… mas apenas nesses casos! Que não se torne uma desculpa para não vivermos, porque no amanhã, num amanhã, seremos felizes. Sem fazermos nada. Sem respirarmos sequer. Porque no amanhã seremos realmente-felizes-(ou-não).

Sejamos felizes (num manifesto global s´il vous plait... não cada um com cada seu botão...).


Sejamos felizes HOJE.

domingo, 11 de maio de 2008

A vida em geral que coabita com cada vida em particular...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Não se esqueça deste nome: Ron Mueck

Ron Mueck nasceu em Melbourne em 1958 e é um escultor hiper-realista. E é isso mesmo que as suas esculturas são: extremamente reais; e se não fossem as dimensões alteradas, seriam certamente confundidas com pessoas. Isto porque tudo se assemelha: os cabelos, as sobrancelhas, as orelha, as veias, as rugas de expressão, as rugas dos dedos e de axilas, as unhas. E faz tudo isto a partir de:
- fibra de vidro
- silicone
- resina acrílica
- poliéster

Ron Mueck torna-se assim, cada vez mais, um artista de arte contemporânea de referência.


"Two Women"



"Seated woman"



Homem Grande
“Big Man” - um retrato da solidao humana

"Crounching boy in a mirror"

quinta-feira, 1 de maio de 2008

During the last week...(2)

LOL

"Com todas as qualidades: honesta e gaiteira...."


Cuidado...entranha-se...

Made in Portugal

Telmo Miranda


During the last week...

se eu beber dessa luz que apaga
a noite em mim
e se um dia eu disser
que já não quero estar aqui
na incerteza de saber
o que fazer, o que querer
mesmo sem nunca pensar
que um dia o vá expressar
não há outro que conhece
tudo o que acontece em mim"


Eu Sei

Da Sara Tavares


segunda-feira, 21 de abril de 2008

sábado, 19 de abril de 2008

"Para dar ambiente enquanto se esperava, Lil e Folavril sorriram."


in Erva Vermelha, Boris Vian

sábado, 12 de abril de 2008

A cidade é um chão de palavras pisadas,
A palavra criança, a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas,
A palavra distância e a palavra medo.

José Carlos Ary dos Santos





terça-feira, 8 de abril de 2008

Um até amanhã demorado-em-ciclo para ti!

=)






Dedicado à Sophie (pelo serão de desabafos!)...Obrigada! =)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Would you still love me tomorrow?

Fica comigo esta noite. Tenho espaço suficiente para ti na minha cama. Fiz dieta. Vem, encosta-te a mim que os meus braços estão abertos, os olhos despertos, o corpo quente e frio se te fores embora. Não me importo se dormires. Não tenho pressa, não tenho planos, tenho tempo de sobra para ficar do teu lado. Invento tempo só para ti, invento dias extra no calendário, invento realidades nuas e cruas se for preciso. O tempo nunca sobra. Mas fica. Se fores, a senhora da limpeza passará a minha alma a aspirador amanhã. A alma que ficará prostrada no chão. A alma que te perseguirá, rastejando, até à porta... até à porta de saída. O corpo ficará retido nos lençóis, em busca de cada partícula que tu deixaste para trás. Fica comigo esta noite, antes que o meu corpo enlouqueça na procura vã de restos de ti... de restos de ti, que tu não deixas para trás, porque limpas bem o prato.
Sinto o sinal da manhã que se levanta. Sinto cheiro a carne podre. Eu deixo restos. Eu deixo alma. Eu dispo-me de mim se tu não ficares. Fica.





Would you still love me tomorrow?






(inspirada na música...apenas)

sábado, 5 de abril de 2008

Para sempre condenados a uma solidão de pulga atrás da orelha.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Concerto de Editors =)

Numa palavra, o concerto foi:


BRUTAL =)








Obrigada André pelo bilhete =)

terça-feira, 1 de abril de 2008

Editors

Para comemorar a sua vinda a Portugal e o concerto que eu irei assistir (espero!) amanhã no Campo Pequeno =)






Modo: Fingers crossed =P

segunda-feira, 31 de março de 2008

Ainda sobre a Ronda Nocturna...

Pesada. Forte. Fala sobre a destruição (cada vez mais proeminente) das relações interpessoais: entre marido e mulher, entre irmãos, de pais para filhos. Fala do que é viver cada vez mais apenas para si, não pensando nos outros, não se importando com o que os outros pensam. Fala sobre vergonha de passear na rua com um filho obeso, porque as pessoas vão olhar, vão comentar, vão estragar a reputação. Fala sobre o amor obsessivo que chega a ser auto-destruitivo. Fala sobre a solidão que cada vez mais sentimos nos nossos corações. Fala sobre abandono, sobre desamparo, sobre nada nem ninguém fazer a diferença (quando pode, muitas vezes, fazer a diferença...). Fala sobre a tristeza de amar alguém sem ser amada. Fala do desejo de ser apenas amado, de ser feliz. Fala da impossibilidade de ser amado por quem gostaríamos de sermos amados. Fala da frieza com que lidamos com a morte. Fala da incapacidade de perdoar.
A peça é bastante extensa (é preciso ir preparado!)... Por um lado, compreendo a necessidade desta extensão, (já que é apresentada em ciclo, onde muitas vezes as conversas se repetem, o que salienta o desespero de cada personagem), mas talvez seja um pouco extensa demais (há uns diálogos no final um pouco confusos).
Não vou falar sobre o final...mas acho que também esperava um pouco mais... embora talvez não houvesse mais caminho nenhum para seguir. Todos ficam sozinhos. Como todos começam. Como todos continuam.


Gostei =)


(haveria mais para falar sobre a peça...mas não posso me extender muito...senão depois já não vale a pena ir vê-la =P)

A Ronda Nocturna -- Rembrandt

sábado, 29 de março de 2008

A coruja da noite abateu-se sobre mim. Não era a fome que a chamava. Guiava-a a certeza de não ter mais para onde ir...





Modo: noite

quinta-feira, 27 de março de 2008

Dia mundial do teatro

E hoje é dia mundial do teatro =)

Para comemorar?! A Ronda Nocturna no Maria Matos =)


A Ronda Nocturna, de Lars Norén
Considerado o herdeiro artístico de Ingmar Bergman, o autor sueco Lars Norén é normalmente comparado a Strinberg ou a O´Neill. O seu teatro, alimentado de obsessões, é violento, visceral e denso.
Em A Ronda Nocturna, dois irmãos e as suas esposas “atacam-se” ferozmente, desvendando sem pudor as suas frustrações, os seus desejos e os seus medos diante da urna que contém as cinzas da sua mãe.
Evocando com uma nitidez desconcertante o universo de Quem Tem Medo de Virginia Woolf? e o mote proposto por Edward Albee - «o Inferno pode ser uma sala confortável e um casal insatisfeito» - em A Ronda Nocturna o público é remetido para a sala de estar de John e Charlotte onde assiste, com uma perturbante proximidade, a um intenso ritual de mortificação mútua.

http://www.teatromariamatos.egeac.pt/



Modo: teatral (e com pressa...lol)

terça-feira, 25 de março de 2008

Sweet =)





Obrigada Andreia! =)

Impressão Digital

Poema encontrado num livro de filosofia do meu 10º ano:



Impressão digital

Os meus olhos são uns olhos.

E é com esses olhos uns

Que eu vejo no mundo escolhos

Onde outros com outros olhos,

Não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.

De tudo o mesmo se diz.

Onde uns vêem luto e dores

Uns outros descobrem cores

Do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas

Onde passa tanta gente,

Uns vêem pedras pisadas,

Mas outros, gnomos e fadas

Num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,

Querer ser depois ou ser antes.

Cada um é seus caminhos.

Onde Sancho vê moinhos

D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.

Vê gigantes? São gigantes.

António Gedeão, Poesias Completas



Porque este também faz parte da maneira como quero (e tento...) ver a vida... =)

sábado, 22 de março de 2008

A minha forma de vida

E mais este... porque me acompanha todos os dias.


Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí.


José Régio

Dia mundial da poesia

E este blogue não podia ficar indiferente (não fosse eu uma devo-adoradora de Poesia =) )


Procuro-te

Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre – procuro-te.

Eugénio de Andrade


On repeat

Rita redshoes, uma das revelações nacionais deste ano, sem dúvida.

Para ouvir =)

Aqui fica o myspace dela, vale a pena dar uma olhadela =)

http://www.myspace.com/ritaredshoes


Dream on girl

quarta-feira, 19 de março de 2008

Medo.

Medo de estar condenada a ser alma solitária, com visão solitária, nesta cidade cada vez mais solitária.


Medo.
"Quando por picardia, piscava os olhos a uma rapariga bonita, esta desmaiava como as donzelas do séc. 19, um desmaio delicioso em que com a cabeça se aterrava em miosótis enquanto, num contraponto enérgico à banal síncope stréssica de hoje, os dedos dos pés aterravam em pedaços vaporosos de nuvens"

=)

LINDO!



in História de um homem com dois olhos esquerdos
Miguel Castro Henriques

terça-feira, 18 de março de 2008

Chez Kantor

Vale a pena ver "Chez Kantor", apresentada pelo grupo de teatro NNT (Novo Núcleo Teatro da FCT), onde nos é apresentada o imaginário (ou realidade...) deste cenógrafo e encenador polaco.
O grupo faz um trabalho (simplesmente) espectacular a nível corporal, facial...interpretativo portanto. Isto porque nos leva (quase que nos arrasta! - e que bem arrastados vamos nós!) para aquele mundo individual que em tanto se aproxima (ou afasta...ou afasta...) do mundo de cada um de nós.
A peça é referida como um espectáculo " onde o grotesco associa o trágico e o cómico, a memória, a velhice e a infância. Uma valsa dançada em coro, uma viagem dentro de casa, a alegria de ser o contrário. " E acho que melhor definição não poderia ser encontrada; porque é realmente um espectáculo que associa uma enorme dose de sentimentos (contraditórios por vezes...), em que (quase) tudo é transmitido ao espectador; mas onde, sobretudo (e talvez seja isso o melhor desta peça), é deixado espaço livre para uma auto-interpretação singular e exclusiva. E assim, cada pessoa que sai daquele armazém, vê coisas diferentes naquela mesma coisa que desfila à sua frente. Um desfile que é, na verdade, um autêntico desafio às sensações e as vivências de cada um de nós.
Qual foi a minha interpretação? O que vi eu? Uma triste exposição do que é a sociedade actual: a vontade de estar na ribalta, a busca dum amor artificial, a importância de nos encaixarmos nos padrões de beleza - subjugando-nos a esses padrões e acabando por cair num vórtex de mentiras, apenas porque é importante sermos aceites pelos nossos semelhantes (ou por aqueles que queremos que sejam nossos semelhantes...) -, o negócio da guerra - em que cada vez menos temos a noção dos seus verdadeiros objectivos (verdadeiros objectivos...?), de quem combate quem (se há realmente um combate entre este e o outro...)-, a banalidade publicitária que cada vez mais é atribuída à morte de alguém.
Outros viram a evolução do Homem, outros nada viram "pensava que ia ver uma peça de teatro, mas afinal...", outros nada perceberam "pensava que tinha percebido"...


Mas vale mesmo a pena ver, porque nada foi esquecido: o chazinho de tília, o cobertor, o bilhete de farrapo.

Parabéns aos actores, encenador e a todos que participaram na realização deste (grande) espectáculo.


http://novonucleoteatro.blogspot.com/2008/01/chez-kantor.html

segunda-feira, 17 de março de 2008

"E a minha perna apontou para uma estrela, e eu perguntei: «O que me queres dizer com isso?»"


by Fred =)
Ando com a revolta na língua

Quem me leva (os meus fantasmas)?

Tenho fantasmas à porta.
Tenho fantasmas caiados de paredes brancas.
Tenho fantasmas sobrados de pratos no lava-loiça.
Tenho fantasmas concretos de pousada grátis no sofá.
Tenho fantasmas molhados de toalha enrolada à cabeça.
Tenho fantasmas desconcertados de ténis deixados no tapete.
Fantasmas.
Tenho fantasmas escondidos dentro de mim.
Fantasmas.
Fantasmas perdidos.
Fantasmas.
Entre mim e os outros, fantasmas não vistos.
Fantasmas meus.
Fantasmas de quem por aqui passou e deixou: fantasmas.
Fantasmas sumidos nos olhos dos outros.
Fantasmas que nascem no fundo dos meus.
Fantasmas que me coçam na pele e me arranham na roupa.
Entre mim e os outros, fantasmas não sentidos.
Entre mim e os outros,

fantasmas,

entre mim e os outros.


sábado, 15 de março de 2008

Hoje dominei o tempo.
Hoje parei para ouvir cantigas no metro: grande Grupo Coral Metropolitano de Lisboa que canta ao pouco encanto das pessoas que passam! Eu parei para ouvir, porque hoje fui dona do tempo. Não tive problemas em perder comboios, porque me fez bem a cantoria. Consegui (e parece-me que ainda consigo) ouvir, naquelas cansadas vozes de idade, o fresco gorgolejar das borboletas de flor em flor, o vento preso no vale da serra, o sol serpenteando ao encalço dos regatos. Senti-me bem ali, encostada àquele pilar de mármore que se encosta também a mim, sem pressa. Ele já estava lá. Eu cheguei depois. Eles também já estavam lá. Elas passaram por nós os três, com os pés pendurados às costas (para andar melhor, nada como pendurar os sapatos às costas, e com eles os pés que não fazem falta...rastejemos! Rastejemos, que é preciso!). Tinham pressa, elas. Eu sorria. E batia palmas ao sinal do maestro do final da canção. Também gostei do maestro, gostei do gesto que fazia em cada final de canção, qual truque de magia. Sim, o gesto era semelhante: rodava a mão sobre ela própria e com ela capturava o ar (e o tempo?). Só não fazia era magia. Não fazia magia porque guardava segredos. Segredos que demoravam tempo para serem percebidos. Para serem entendidos. Para serem descobertos. As pessoas tinham pressa. Eu gostava das combinações das vozes masculinas e femininas e deixei-me ficar encostada àquele pilar. Deixámo-nos ficar os dois. Elas passaram. Nós sorrimos.
Hoje, quero não fazer sentido.
Hoje, quero ser de ouvidos moucos às vozes acutilantes que me extravasam o cérebro, fazendo escárnio das minhas ideias que lá se encontram postadas à janela.
Hoje, quero apenas ter espaço para a loucura de miríades de estrelas que se estendem sobre mim, nesta minha semi-esfera portátil de ar quente.
Hoje, quero desobedecer às leis comuns dos mortais e ser apenas essência pura.
Hoje, quero brotar indefinida do meu subconsciente e realizar-me no meio do nada do mundo.

Hoje nasço não definida.

terça-feira, 11 de março de 2008

Tira a teima...

...e tem cuidado...vê aquilo que sou...








Modo: Prova dos 9

Puerto Rico

No patamar daquela porta.
No frio daquela cidade adormecida.
No calor daqueles trópicos.

Palavras incapazes de serem travadas num sussuro.
Pessoas cruzadas fora do seu contexto geográfico.
Corações globais de legendas automáticas.


Legendas automáticas.


=))

sábado, 8 de março de 2008

A evolução dos piropos II

És uma maravilha da evolução!!

=)

quarta-feira, 5 de março de 2008

(Shiu)

"A Lição

Um dias destes deliciei-me a ouvir uma confissão de um aluno meu a propósito de uma sua profundíssima desilusão de amor.
O Vasco, de 10 anos, contava que escrevera uma carta para a entregar à sua amada, ou seja, ele esperava que ela viesse a ser a sua amada. Preparou um plano arriscado e mirabolante para a entrega da carta, passando inclusivamente por uma pequena dramatização. Deitou a carta para o chão, pisou-a para lhe dar algum aspecto usado e fazer crer que outro alguém a teria escrito. A ideia achei-a genial, mas…falhou. Quando a amada do Vasco viu a dita carta, rasgou-a impiedosamente e nem um olá disse. O enredo é assustadoramente adulto, o fiasco aconteceu porque o seu melhor amigo sabendo do plano, antecipou-se a contar à rapariga e assim matar a possibilidade da seta do Cupido. Neste momento, eu estava em pulgas para poder animar o Vasco, dizer-lhe que isso não era nada, quando este, com uma ternura serena, me diz que tem um grande amor onde costuma ir passar férias.
– Silvestre, eu adoro-a – afirmou com uma expressão feliz.
– E diz-me, Vasco, já lhe contaste? Ela sabe o que tu sentes? – Perguntei.
– Não, nunca vou contar… - afirmou decidido.
– Porquê? – questionei.
– Porque seria a destruição de tudo – respo
ndeu ele, com o habitual olhar expressivo e terno.
– Mas – insisti – não vais dizer mesmo?
– Não, porque assim não acaba e eu gostarei sempre dela."


Silvestre Fonseca
(in Conversas de Café)




Cai o silêncio e tudo é magia apenas.

Diálogos

- O que queres beber?
- Um bocadinho de céu, se faz favor!


domingo, 2 de março de 2008

"Bonito isso hein? Li na web..."

"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.

Não nos contaram que amor não é acionado nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo.
Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um", duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação.
Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.

Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.

Ah, nem contaram que ninguém vai contar.

Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz se apaixonar por alguém"

(Martha Medeiros, jornalista brasileira)



De mãos atrás nas costas, de cabeça levantada, de sorriso ao vento, eu quero aproveitar a oportunidade de ser FELIZ. Cada oportunidade.

Nada está definido.

Plié. Grand jeté.




sábado, 1 de março de 2008

A evolução dos piropos

Tens um genoma muito interessante!

LOL =)

Ontem, Hoje e AMANHÃ

=))


Modo: HAPPY!!!!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Agri-doce

Hoje não me faças promessas. Fala, gosto de te ouvir falar. Só não me faças promessas. Deitados na relva, fala comigo de Roma, de política, do tempo. Apenas mantém as promessas guardadas. Não me fales de céu. Não me fales do azul do céu. Fala-me da relva. Gosto de relva. Gosto de estar aqui deitada contigo em cima da relva. Do céu… não gosto. Não me digas que sou parva. A luz azul é aquela de comprimento de onda mais curto, o que faz com que ressalte em todas as direcções. É apenas pos isso que vemos o céu azul. Apenas por isso. Não me digas que estou a ser parva. «Mas não deixa de ser azul», e o teu braço agarra o meu e aponta o ciano. «Vês?». Vejo e solto o meu braço. Gosto mais de relva. Tu ris-te e puxas-me para ti, encaixando-me na covinha protegida do teu braço em ângulo recto. Eu fico quieta, não me quero mexer muito que sou alérgica ao pólen. A pedra sob as minhas costas incomoda-me, mas sabe-me bem os teus braços em torno do meu pescoço. E o teu riso na minha orelha. Sabe-me bem. «Amanhã casamos?», rasga-se um sorriso no teu infinito. Sabes que me estás a provocar. Os meus olhos surpresos e mudos respondem-te. Sabes tão bem como eu, que não tenho resposta para ti. Não me peças sonhos do azul que eu não toco. «Estava a brincar», beliscas-me a bochecha e pões-me a língua de fora. Pois estavas. Tiras-me uma madeixa de cabelo da cara. Não me faças promessas. Tu sabes que não me deves fazer promessas. Promessas do amanhã que ainda vem longe, promessas do dia que pode nem ser dia. «Eu sei». Fechas os olhos. Vais dormir? «Vou». Estás cansado? «Não». Não me peças sonhos de azul que eu não toco. Dispões paralelamente o teu braço junto ao teu tronco. Fico parada. Gostava do ângulo recto do teu braço. Um avião desenha com risco branco no teu céu. Desculpa, mas fartei-me de sonhar o céu que um dia alguém criou por cima das nossas cabeças. Faz-se silêncio na tua respiração. Passa outro avião, outro risco, outro rasgo no teu céu que se parece fragmentar em pedaços cada vez mais pequenos. Fecho também os olhos. Gostava de te ouvir falar. Fala. Diz coisas. Diz-me coisas.



(As personagens são fictícias...completamente e inteiramente fictícias...)



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O que é mesmo a paciência...?!

Se cada dia cai (ou se cada dia cair....)

Se cada dia cai, dentro de cada noite,
Há um poço
Onde a claridade está presa.

Há que sentar-se na beira
Do poço da sombra
E pescar luz caída
Com paciência.


Pablo Neruda
(mais um...)



Tenho vontade de dizer alguma coisa sobre este poema...desenvolver esta ideia...quase que materializá-la...mas o quase não passaria de isso...um quase...um apenas quase...por isso:
Modo: Sentir apenas.




terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Amor

Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor da pele
Há amor tao longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante
Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão
Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado
Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue, bem quente
Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca, nunca tocado
Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tao próximo
Amor de incenso
Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada, mas nada
Te faz contente, me faz contente
Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido
Há amor eterno
Sem nunca, talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez
Há amor de certezas
Que nao trará dor
Amor que afinal
É amor,
Sem amor
O amor é tudo,
Tudo isto
E nada disto
Para tanta gente
acabar de maneira igual
E recomeçar
Um amor diferente
Sempre , para sempre
Para sempre .

(Sempre para sempre, Donna Maria)



E claro que fica a pergunta: qual é o teu tipo de Amor....?!



(Reminiscências do Dia dos Namorados...?! Dia dos Namorados?! Não deveria ser (também) quando um Homem quiser?)


Hoje seria um dia para falar de Amor.


domingo, 17 de fevereiro de 2008

On repeat


There are so many special people in the world...

Há fábricas de dias que virão

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

Pablo Neruda

sábado, 16 de fevereiro de 2008

No one can stop the river of your hands

It’s today: all of yesterday dropped away
among the fingers of the light and the sleeping eyes.
Tomorrow will come on its green footsteps;
no one can stop the river of the dawn.
No one can stop the river of your hands,
your eyes and their sleepiness, my dearest.
You are the trembling of time, which passes
between the vertical light and the darkening sky.

The sky folds its wings over you,
lifting you, carrying you to my arms
with its punctual, mysterious courtesy.
That is why I sing to the day and to the moon,
to the sea, to time, to all the planets,
to your daily voice, to your nocturnal skin.

Pablo Neruda

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Todos e mais alguns

[ ] Queres casar comigo ontem?
[ ] Vamos morar juntos para debaixo da ponte?
[ ] Se mudasse de clube davas-me um beijo?
[ ] Posso conhecer-te outra vez?
[ ] Queres dar a volta ao mundo a pé comigo?
[ ] Queres brincar aos pais e às mães?

[ ] Sim, aceito.

(in postal grátis da Nescafé Capuccino)


Happy S. Valentine Day´s =))

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada


Cecília Meireles
"My monster is human"

(
in DIFFID (?))

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

"Don't part with your illusions. When they are gone you may still exist, but you have ceased to live."

Mark Twain

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Para nascer, Portugal: para morrer, o mundo

"Nascer pequeno e morrer grande, é chegar a ser homem. Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas para a sepultura. Para nascer, pouca terra; para morrer toda a terra. Para nascer, Portugal: para morrer, o mundo."


Padre António Vieira


(Painel de azulejos alusivo aos 400 anos do nascimento de Padre António Vieira, junto da rua e da casa onde nasceu, perto da Sé de Lisboa)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Hoje o dia seria bom para sorrir

Hoje o dia seria bom para sorrir. Para passear, e para ver sorrisos colados nas nucas das pessoas que passam por mim, e que não me dizem “bom dia”. Não porque o dia deveria ser mau (vejamos, hoje deveria ser um bom dia para sorrir!), mas porque os “bons dias” se esgotaram quando se fez noite. Eu cá gosto de “bons dias” durante a noite. Gosto de desejar “bons dias”, quando ainda estamos num dia, em que podemos dizer “bom dia”! E hoje deveria ser um dia para sorrir…para sorrir e dizer: bom dia! Para colar sorrisos nos passeios…para lustrá-los de sorrisos, e de lábios entreabertos, e dentes lavados e língua encolhida, esticada, ausente. Hoje não seria preciso língua para sorrir, para sorrir sem malícia, sem saliva, sem pressa…porque hoje não há sítio para onde ir. Hoje temos tempo. Hoje temos o tempo do tempo, deste dia que é dia. Que ainda, é dia. E neste hoje, as pessoas passam por mim e não me desejam “bom dia”. E eu passo por elas e elas passam por mim, e nada me dizem e eu nada digo, que sou tímida. E elas trazem a língua esticada, encolhida e os dentes lavados e os lábios entreabertos. Respiram. Têm pressa e arfam. Estão cansadas e pendentes. Os lábios estão entreabertos, que respiram melhor. Encolhidas, esticadas, cansadas. De olhos no chão ou nalgum ponto por cima da cabeça delas. Demasiado em cima que se lhes perde a vista, sem que a encontrem outra vez.
Hoje seria um espaço para sorrir. Mas o que é o espaço da rua, do passeio e da estrada, dos carros, dos pneus e das pessoas que passam com os olhos fixos no retrovisor. Medo. Medo de serem vistas pelo retrovisor. Olham apenas de relance e foge-lhes os olhos antes que se cruzem com os olhos de outro alguém. Hoje seria um bom dia para sorrir, para sorrir para esse outro alguém de olhos fugidios no retrovisor. Mas não, é melhor não, que se faz noite. E à noite, já não se vêm os olhos nos retrovisores, nos espelhos, nos olhos que fixam de volta a face, e nos acusam que este poderia ter sido um dia para sorrir. Um dia para sorrir. Um dia para sorrir que já não é dia. Hoje seria um dia para sorrir. Hoje seria um “bom dia” para sorrir. Mas no hoje, já não há sorriso. No hoje, já não há bom dia. No hoje, já não há mais hoje.