Hoje não me faças promessas. Fala, gosto de te ouvir falar. Só não me faças promessas. Deitados na relva, fala comigo de Roma, de política, do tempo. Apenas mantém as promessas guardadas. Não me fales de céu. Não me fales do azul do céu. Fala-me da relva. Gosto de relva. Gosto de estar aqui deitada contigo em cima da relva. Do céu… não gosto. Não me digas que sou parva. A luz azul é aquela de comprimento de onda mais curto, o que faz com que ressalte em todas as direcções. É apenas pos isso que vemos o céu azul. Apenas por isso. Não me digas que estou a ser parva. «Mas não deixa de ser azul», e o teu braço agarra o meu e aponta o ciano. «Vês?». Vejo e solto o meu braço. Gosto mais de relva. Tu ris-te e puxas-me para ti, encaixando-me na covinha protegida do teu braço em ângulo recto. Eu fico quieta, não me quero mexer muito que sou alérgica ao pólen. A pedra sob as minhas costas incomoda-me, mas sabe-me bem os teus braços em torno do meu pescoço. E o teu riso na minha orelha. Sabe-me bem. «Amanhã casamos?», rasga-se um sorriso no teu infinito. Sabes que me estás a provocar. Os meus olhos surpresos e mudos respondem-te. Sabes tão bem como eu, que não tenho resposta para ti. Não me peças sonhos do azul que eu não toco. «Estava a brincar», beliscas-me a bochecha e pões-me a língua de fora. Pois estavas. Tiras-me uma madeixa de cabelo da cara. Não me faças promessas. Tu sabes que não me deves fazer promessas. Promessas do amanhã que ainda vem longe, promessas do dia que pode nem ser dia. «Eu sei». Fechas os olhos. Vais dormir? «Vou». Estás cansado? «Não». Não me peças sonhos de azul que eu não toco. Dispões paralelamente o teu braço junto ao teu tronco. Fico parada. Gostava do ângulo recto do teu braço. Um avião desenha com risco branco no teu céu. Desculpa, mas fartei-me de sonhar o céu que um dia alguém criou por cima das nossas cabeças. Faz-se silêncio na tua respiração. Passa outro avião, outro risco, outro rasgo no teu céu que se parece fragmentar em pedaços cada vez mais pequenos. Fecho também os olhos. Gostava de te ouvir falar. Fala. Diz coisas. Diz-me coisas.
(As personagens são fictícias...completamente e inteiramente fictícias...)


2 comentários:
Diz que ainda estás aqui. Diz que gostas de estar aqui, quieto ao pé de mim. Nunca te disse, mas também gosto do som da tua respiração.. gosto quando ela fica ofegante e quando és só e apenas capaz de soltar um sorriso timído, daqueles que quase não o é. Agarra-me a mão. Tocas-me daquele jeito que só tu conheces, ao de leve pela palma da mão. Solto uma leve gargalhada à semelhança do azul do céu, «Estás a fazer-me arrepios! Tonto!» Abres os olhos e olhas nos meus. Ainda aqui, hoje. Enquanto ainda estamos deitados na relva. Porque o amanhã é longe demais. Porque o amanhã pode nem ser o amanhã.
levada pelo espírito e pelas réstias do ontem =)
Ah e quase me esquecia, PARABÉNS!! =) porque é bom sorrir contigo..
Joanita, este post não tem palavras que o definam, mas tenho de dizer que adorei. Adorei adorei adorei. E cada vez que volto tenho de o reler. Tás lá miúda, continua :)
Beijinhos!
Postar um comentário