segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

A um poeta

Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,
 
Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afuguentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...
 
Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!
 
Ergue-te pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faz espada de combate!
 
                      Antero de Quental


P.S: porque hoje é dia de poemas =P
(como serão outros certamente... =P)
coloco aqui este porque tem a ver com
a "descrição" do blogue, e por ser

um dos meus preferidos (outros virão
com certeza...dêem-me tempo...dêem-me
tempo =P)...porque faço (e fazemos),
tantas vezes, dos sonhos, a nossa
espada...e porque, tantas vezes,
é isso que nos resta...os raios
de luz...a espada....os sonhos...



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