Pesada. Forte. Fala sobre a destruição (cada vez mais proeminente) das relações interpessoais: entre marido e mulher, entre irmãos, de pais para filhos. Fala do que é viver cada vez mais apenas para si, não pensando nos outros, não se importando com o que os outros pensam. Fala sobre vergonha de passear na rua com um filho obeso, porque as pessoas vão olhar, vão comentar, vão estragar a reputação. Fala sobre o amor obsessivo que chega a ser auto-destruitivo. Fala sobre a solidão que cada vez mais sentimos nos nossos corações. Fala sobre abandono, sobre desamparo, sobre nada nem ninguém fazer a diferença (quando pode, muitas vezes, fazer a diferença...). Fala sobre a tristeza de amar alguém sem ser amada. Fala do desejo de ser apenas amado, de ser feliz. Fala da impossibilidade de ser amado por quem gostaríamos de sermos amados. Fala da frieza com que lidamos com a morte. Fala da incapacidade de perdoar.
A peça é bastante extensa (é preciso ir preparado!)... Por um lado, compreendo a necessidade desta extensão, (já que é apresentada em ciclo, onde muitas vezes as conversas se repetem, o que salienta o desespero de cada personagem), mas talvez seja um pouco extensa demais (há uns diálogos no final um pouco confusos).
Não vou falar sobre o final...mas acho que também esperava um pouco mais... embora talvez não houvesse mais caminho nenhum para seguir. Todos ficam sozinhos. Como todos começam. Como todos continuam.
Gostei =)
(haveria mais para falar sobre a peça...mas não posso me extender muito...senão depois já não vale a pena ir vê-la =P)
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Um comentário:
Se alguém disse que tudo o que é bom não é demais, então não viu A Ronda Nocturna.
Não aconselho. Melhor. Aconselho no seguinte caso:
Sair no intervalo; cumprimentar o Diogo Infante (com sorte ser apalpado pelo mesmo); meter-se no carro (ou no comboio que é mesmo ao lado) e viajar para casa; fazer um chocolate quente (sim é Verão mas sabe bem); meditar sobre a peça; no dia seguinte, aparecer no Maria Matos à hora do intervalo; entrar como nada se passasse para o segundo acto; desfrutar.
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