segunda-feira, 17 de março de 2008

Quem me leva (os meus fantasmas)?

Tenho fantasmas à porta.
Tenho fantasmas caiados de paredes brancas.
Tenho fantasmas sobrados de pratos no lava-loiça.
Tenho fantasmas concretos de pousada grátis no sofá.
Tenho fantasmas molhados de toalha enrolada à cabeça.
Tenho fantasmas desconcertados de ténis deixados no tapete.
Fantasmas.
Tenho fantasmas escondidos dentro de mim.
Fantasmas.
Fantasmas perdidos.
Fantasmas.
Entre mim e os outros, fantasmas não vistos.
Fantasmas meus.
Fantasmas de quem por aqui passou e deixou: fantasmas.
Fantasmas sumidos nos olhos dos outros.
Fantasmas que nascem no fundo dos meus.
Fantasmas que me coçam na pele e me arranham na roupa.
Entre mim e os outros, fantasmas não sentidos.
Entre mim e os outros,

fantasmas,

entre mim e os outros.


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