terça-feira, 18 de março de 2008

Chez Kantor

Vale a pena ver "Chez Kantor", apresentada pelo grupo de teatro NNT (Novo Núcleo Teatro da FCT), onde nos é apresentada o imaginário (ou realidade...) deste cenógrafo e encenador polaco.
O grupo faz um trabalho (simplesmente) espectacular a nível corporal, facial...interpretativo portanto. Isto porque nos leva (quase que nos arrasta! - e que bem arrastados vamos nós!) para aquele mundo individual que em tanto se aproxima (ou afasta...ou afasta...) do mundo de cada um de nós.
A peça é referida como um espectáculo " onde o grotesco associa o trágico e o cómico, a memória, a velhice e a infância. Uma valsa dançada em coro, uma viagem dentro de casa, a alegria de ser o contrário. " E acho que melhor definição não poderia ser encontrada; porque é realmente um espectáculo que associa uma enorme dose de sentimentos (contraditórios por vezes...), em que (quase) tudo é transmitido ao espectador; mas onde, sobretudo (e talvez seja isso o melhor desta peça), é deixado espaço livre para uma auto-interpretação singular e exclusiva. E assim, cada pessoa que sai daquele armazém, vê coisas diferentes naquela mesma coisa que desfila à sua frente. Um desfile que é, na verdade, um autêntico desafio às sensações e as vivências de cada um de nós.
Qual foi a minha interpretação? O que vi eu? Uma triste exposição do que é a sociedade actual: a vontade de estar na ribalta, a busca dum amor artificial, a importância de nos encaixarmos nos padrões de beleza - subjugando-nos a esses padrões e acabando por cair num vórtex de mentiras, apenas porque é importante sermos aceites pelos nossos semelhantes (ou por aqueles que queremos que sejam nossos semelhantes...) -, o negócio da guerra - em que cada vez menos temos a noção dos seus verdadeiros objectivos (verdadeiros objectivos...?), de quem combate quem (se há realmente um combate entre este e o outro...)-, a banalidade publicitária que cada vez mais é atribuída à morte de alguém.
Outros viram a evolução do Homem, outros nada viram "pensava que ia ver uma peça de teatro, mas afinal...", outros nada perceberam "pensava que tinha percebido"...


Mas vale mesmo a pena ver, porque nada foi esquecido: o chazinho de tília, o cobertor, o bilhete de farrapo.

Parabéns aos actores, encenador e a todos que participaram na realização deste (grande) espectáculo.


http://novonucleoteatro.blogspot.com/2008/01/chez-kantor.html

2 comentários:

Lara Aleluia disse...

Faço parte da peça e tudo que tenho a dizer é "obrigada";).

Nynuphar disse...

Obrigada nós (espectadores) =)