I´m wanted dead or alive
Costumo pôr frases neste espaço que têm um significado para mim, que não são apenas palavras. Mas normalmente nunca as comento, talvez por achar que são coisas minhas que devem ser partilhadas sim, mas nem tanto assim. Esta era para ser uma frase em que iria pôr aqui sem comentar, deixando cada um livre para tecer juízos sobre ela, ou relacioná-la com um aspecto ou episódio da sua vida. Mas hoje, quer pela energia que a música me tem dado (e me deu), quer por ter escrito aqui a frase e ter sido assolada por uma enormidade de significados latentes por detrás destas pequenina frase. Parei. Escrevi.
Talvez se começar a pôr aqui pequenos excertos desta música, vocês embalem comigo nesta viagem. Normas para ler o texto seguinte: ouvir a música em simultâneo.
" It's all the same, only the names will change
Everyday it seems we're wasting away
Another place where the faces are so cold
I'd drive all night just to get back home"
Porque vivemos cada vez mais num mundo, onde os olhos e as caras e as pessoas são frias, e por estranho que pareça (ou não...) estão presentes em todo o lado...apenas os nomes mudam. E é o regresso a casa (ou o que tivermos mais aproximado disso...) que mais desejamos, porque é lá que nos sentimos melhor, mais protegidos, mais seguros. Quem diz casa, diz aquele lugarzinho onde esta mistura de sentimentos nos aquece e nos protege do frio de lá de fora.
"Sometimes I sleep, sometimes it's not for days
And the people I meet always go their separate ways
Sometimes you tell the day
By the bottle that you drink
And times when you're alone all you do is think"
E tantas vezes, conhecemos pessoas sim. Pessoas que nos fazem felizes durante pouco, muito tempo... às vezes, o bastante. E conhecemos pessoas que nos pôem tristes... às vezes, demais...
Com quantas pessoas divergimos o caminho? Com quantas pessoas cruzamos caminho? Com quantas mantemos apenas caminhos paralelos que não se cruzam, por falta de jeito, por falta de visão periférica, por falta de tempo? Com quantas mantemos caminhos entrelaçados?
Algumas, muito poucas, às vezes nenhumas...
E mais: quantos dias nos passam pela frente sem darmos por isso? Sem que tenha acontecido alguma coisa com que realmente tenhamos ficados satisfeitos? Satisfeitos. Felizes não. Felizes... Felizes? Nunca! Felizes, apenas com família feliz, namoro/casamento/divórcio feliz, filhos felizes, casa feliz, carro feliz, cão feliz, dinheiro feliz,morte feliz! De resto? Felicidade? NÃO!...
Pois...
Quantas vezes temos a oportunidade de ser felizes durantes os nossos dias, durante os dias que passam...e não o somos? Quantos dias passam sem que façamos nada para ficar felizes? Para ficar, no mínimo, satisfeitos? E quantas vezes pensamos e repensamos na nossa miséria, na nossa falta de felicidade, no nosso mundinho infeliz que de tão infeliz nos torna infelizes?
"I'm a cowboy, on a steel horse I ride
I'm wanted dead or alive
I'm a cowboy
Wanted dead or alive"
Lucky Luke combatia o crime e a injustiça montado no seu Jolly Jumper. Uns queriam-no ver morto, outros queriam-no ver vivo. Cantava a sua cantiga característica, quando se afastava em direcção ao pôr-do-sol: "I'm a poor lonesome cowboy, and a long way from home...".
Cowboys solitários que vagueiam em direcção ao seu pôr-do-sol, inseguros, sem saber o que o amanhã lhes reserva e que companhias terão para vivê-lo (se o tiverem para viver). Cowboys solitários, num mundo cada vez mais universal, onde somos cada vez mais individualistas. Cowboys, às vezes mais rápidos do que a sombra, a dos outros, a do mundo.
Quantos de nós serão mais rápidos do que a própria sombra?
"I'm wanted dead or alive
I'm a cowboy, I got the night on my side
I'm wanted dead or alive
And I ride, dead or alive
I still drive, dead or alive
Dead or alive"
I´m wanted dead or alive... but I still ride and I wanna be alive.
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