São poucas as palavras. Talvez por tantas vezes serem demasiadas.
É difícil aceitar uma coisa que não está delimitada, que não está palpável, que não está definida. As ondas da imprecisão, da indecisão, da inexactidão enjoam-nos tantas vezes os olhos. É necessário nomear, denominar, legendar. Para que nos entendamos.
Porque sem linguagem não conseguimos sobreviver. Porque sem conceitos é impossível ver. Porque sem qualificar é impossível a percepção e a interpretação do que temos à nossa frente.
É preciso dizer "Sim, gosto de ti", "Oh sim, claro que te amo" para que exista.
Pelo amanhã que ainda não chegou.
Pelo amanhã que poderá nem chegar por não termos as palavras na mão. Incrustadas. Como uma defesa. Prontas para o ataque.
A insegurança da inexistência por não termos as palavras.
O medo por não ter sido proferido, por não ter sido escrito, por não ser conhecido.
O amanhã.
Sempre o amanhã.
(I want it unlabeled, unwritten, unknown)
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Um comentário:
Não reduzas a linguagem ao verbo. Eu diria que as coisas mais importantes expressam-se para além do verbo. E sim, essas são indefiníveis, difíceis de rotular e descrever... verbalmente.
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